Em matéria de faquirismo, a cidade mineira de Juiz de Fora foi privilegiada. Encontramos referências de quatro provas de jejum realizadas ali. Do faquir Silki, foram duas exibições. Em 1956, foi a vez de Suzy King. E ainda teve Dzy Tzú.
"A bela e jovem faquir Dzy Tzú abandonou o Convento para enfrentar o suplício do jejum dentro de uma urna", dramatizava o título de uma reportagem assinada por Antonio Gelli e publicada na revista local "O Lince" em dezembro de 1957.
"O Lince", Juiz de Fora, MG, dezembro de 1957
Fonte: Biblioteca Municipal Murilo Mendes, Juiz de Fora, MG
Filha de lavradores japoneses de Goiás, Dzy Tzú teria abandonado um convento salesiano em 1955, "faltando apenas seis meses do juramento claustral" - informava Gelli em seu texto - "escolhendo a via crucis do faquirismo, guiada por uma inspiração de sublime sacrifício": "com o fruto do seu trabalho", pretendia "abrir futuramente um orfanato para crianças desamparadas, contribuindo assim para a humanidade".
Então contando vinte anos de idade, Dzy Tzú chegou em Juiz de Fora disposta a passar trinta dias jejuando deitada sobre uma cama de pregos, dentro de uma urna de cristal exposta na galeria do Edifício São Joaquim, na Rua Marechal Deodoro.
Ao repórter de "O Lince", a faquireza informou que já passara quarenta dias sem comer em outra apresentação.
Em Juiz de Fora, seu jejum contou com o acompanhamento do médico Dr. José Tostes e durou todo o mês de dezembro.
Na imprensa, tiveram repercussão as denúncias dos transeuntes e moradores da região em relação a um alto-falante que, de acordo com o jornal "Folha Mineira", anunciava "suas qualidades e dotes artísticos, tudo isto entremeado de músicas e palavras de estímulo do narrador".
"É Dzy Tzú para cá e Dzy Tzú para lá e além disso músicas em tom muito alto, enfim, um barulho que não deixa ninguém em paz, nem com calma ou cabeça para trabalhar. Assim, fica mais uma reclamação endereçada ao delegado geral de Polícia da cidade, para que tome as providências necessárias.", publicou o "Folha Mineira".
Não conseguimos apurar muito mais a respeito de Dzy Tzú.
Através do Facebook, nosso xará Alberto Santiago nos trouxe o relato de alguns familiares seus, que fizeram amizade com "a japonesinha que desafia a morte", como era chamada então.
Pela mesma rede social, em um grupo de Anápolis, encontramos um sobrinho de Dzy Tzú, que nos contou que ela já faleceu e deixou uma filha - a qual não teria autorizado que ele nos passasse maiores informações a seu respeito.
Assim, permanece a aura de mistério em torno da moça que desistiu de ser freira para ser faquireza.

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